quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

QUE VENHA 2009!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

PAZ, SAÚDE, ALEGRIA E MUITO AMOR PARA TODOS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

FELIZ NATAL!!!!!!!!!!!!!!!


segunda-feira, 22 de dezembro de 2008


ÉS UM GIRASSOL

POETA ELSON TEIXEIRA CARDOSO



(Para Ivy)



Enquanto teus cabelos rubros flutuam,

vivos de brilho e ternura,pôr do sol pleno e fogo e sentido,

teus olhos são o mar envolto na permanência,

e faiscando sentimentos, tu beijas a flor inquieta,

a flor que rodopia em busca do sol.

Enquanto a brisa da tarde suspira canções,

duas flores conjugam-se na beleza e magia,

e o mistério é desvendado:tu és um girassol vermelho,

o coração pleno de vontades,os braços como asas alcançando o mundo,

és um girassol banhado no vinho e na esperança contínua.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

HEXACAMPEÃO!!!!!

Com tantos afazeres nos últimos dias, nem postei comentários a respeito de um acontecimento que me deixou MUITO, MUITO feliz!!!!!!! O meu querido São Paulo Futebol Clube é campeão brasileiro pela terceira vez consecutiva, a sexta na história!!!!!!!!!!!!!!

Não tenho nem palavras para explicitar o tamanho da minha alegria neste domingo!!!!!! Na Getúlio, eu parecia uma maloqueira, de bandeira em punho, no meio da Independente, cantando as músicas da torcida, pulando igual um canguru e esgotando toda a energia que ainda me restava!!!!!! Dormi como um anjo, feliz, feliz, feliz!!!!!!!

Obrigada a toda a equipe do SPFC!!!!!!!!!!!!! Eu amo vocês!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

COMEÇAR DE NOVO - texto de um funcionário da Perdigão, em Itajaí - SC, cidade largamente atingida pelas enchentes e desmoronamentos

Eu tinha medo da escuridão
Até que as noites se fizeram longas e sem luz
Eu não resistia ao frio facilmente
Até passar a noite molhado numa laje
Eu tinha medo dos mortos
Até ter que dormir num cemitério
Eu tinha rejeição por quem era de Buenos Aires
Até que me deram abrigo e alimento
Eu tinha aversão a Judeus
Até darem remédios aos meus filhos
Eu adorava exibir a minha nova jaqueta
Até dar ela a um garoto com hipotermia
Eu escolhia cuidadosamente a minha comida
Até que tive fome
Eu desconfiava da pele escura
Até que um braço forte me tirou da água
Eu achava que tinha visto muita coisa
Até ver meu povo perambulando sem rumo pelas ruas
Eu não gostava do cachorro do meu vizinho
Até naquela noite eu o ouvir ganir até se afogar
Eu não lembrava os idosos
Até participar dos resgates
Eu não sabia cozinhar
Até ter na minha frente uma panela com arroz e crianças com fome
Eu achava que a minha casa era mais importante que as outras
Até ver todas cobertas pelas águas
Eu tinha orgulho do meu nome e sobrenome
Até a gente se tornar todos seres anônimos
Eu não ouvia rádio
Até ser ela que manteve a minha energia
Eu criticava a bagunça dos estudantes
Até que eles, às centenas, me estenderam suas mãos solidárias
Eu tinha segurança absoluta de como seriam meus próximos anos
Agora nem tanto
Eu vivia numa comunidade com uma classe política
Mas agora espero que a correnteza tenha levado embora
Eu não lembrava o nome de todos os estados
Agora guardo cada um no coração
Eu não tinha boa memória
Talvez por isso eu não lembre de todo mundo
Mas terei mesmo assim o que me resta de vida para agradecer a todos
Eu não te conhecia
Agora você é meu irmão
Tínhamos um rio
Agora somos parte dele
É de manhã, já saiu o sol e não faz tanto frio
Graças a Deus
Vamos começar de novo.
É hora de recomeçar, e talvez seja hora de recomeçar não só materialmente. Talvez seja uma boa oportunidade de renascer, de se reinventar e de crescer como ser humano.
Pelo menos é a minha hora, acredito.
Que Deus abençoe a todos.

Luis Fernando Gigena

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Campanha de NATAL!!!

Não, pessoa, eu não desisti deste blog!

Volto para fazer uma campanha natalina! Muitos estão solidários aos atingidos pelas chuvas em Santa Catarina (eu também!), e realmente devemos estar atentos às necessidades daqueles que podemos ajudar. Fazendo uma comparação "ambiental", todos se mobilizam contra o desmatamento na Amazônia, o que é uma causa muito justa! No entanto, o nosso Cerrado em São Paulo já teve 99% de sua cobertura devastada!!! E quem fala do Cerrado?

Estou usando este exemplo para demonstrar que muitas vezes nos sensibilizamos mais com o que está longe do que com a nossa própria realidade! Vocês conhecem o Jardim Ivone em Bauru? É um bairro próximo à Vila São Paulo, onde nasce o Córrego Barreirinho e local que abriga atualmente um bolsão de entulho. A população desse bairro carece de todo o tipo de infra-estrutura, e a Prefeitura já aprovou financiamento para promover a remoção das famílias para uma área melhor, onde inclusive eles poderão ter escritura do imóvel que habitarão.

Uma grande amiga, a arquiteta, professora e coordenadora do Plano Diretor Participativo de Bauru, Maria Helena Rigitano, está muito envolvida neste projeto, o que a fez conhecer muito bem a realidade daquelas famílias. Ela teve uma idéia sensível e que merece o apoio de todos nós. Em dezembro, ela faz aniversário e pediu aos amigos que ao invés de lhe darem presentes, doassem dinheiro para reformar os brinquedos do playground do bairro.

A doação será no dia 13 de dezembro e eu quero muito ajudar na concretização deste sonho! Por isso, se VOCÊ quiser ajudar com qualquer quantia (R$1, R$5, R$10...), entre em contato comigo! O que fazemos por nossa cidade? Enxergamos as pessoas que vivem nela? Estamos tão comprometidos com nossos umbigos que não conseguimos colaborar com causas coletivas?

Parece demagogia, mas quando esse discurso se traduz em atitude se torna SOLIDARIEDADE.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

a MULHER e a NATUREZA


O que as mulheres e a natureza têm em comum? São tantas coisas! A mulher é parte da natureza, mas a natureza também é muito feminina. É interessante notar que elas têm fortalezas parecidas, mas sofrem muitas ameaças em comum. Na semana em que retomamos com força total o Movimento pela Preservação da Floresta (ops, A floresta!) Urbana Água Comprida, muitas notícias nacionais e internacionais mostram a violência doméstica.

A ong italiana Telefono Donna (http://www.telefonodonna.it/) lançou uma campanha super polêmica (sobretudo porque estão no país mais fervorosamente católico do mundo). A foto usada, e que ilustra este post, mostra uma mulher na cama, em posição à la Jesus Cristo, com a frase "Quem paga pelos pecados do homem?" (desculpem se a minha tradução do italiano não estiver perfeita, mas a idéia é essa). No dia 25 de novembro acontece a Jornada contra a Violência Doméstica, e esse cartaz ilustra a luta de milhares de mulheres que, muitas vezes silenciosamente, sofrem com abusos físicos e psicológicos causados por seus próprios companheiros.

Ou seja, as pessoas às quais essas mulheres dedicam seu amor, carinho, sua vida, retribuem com exploração, pensando apenas em seu benefício próprio. Acontece a mesma coisa com tudo o que é natural e aqueles que a exploram sem medidas, alegando pensarem no conforto de sua família. A natureza nos dá tudo e recebe em troca o abuso, exatamente como as mulheres vítimas de violência.

Esta semana uma mulher foi jogada de seu apartamento junto com seu filho (ops, A criança!) e acabou morrendo. O maior suspeito é justamente seu companheiro, que já havia abusado dela por várias vezes, fato comprovado por 3 (!!!) boletins de ocorrência registrados por ela nos últimos meses. Era tão óbvio que ele representava um risco à integridade da moça. Fiquei pensando o quanto esta morte poderia ter sido evitada se esta questão fosse levada a sério (não só aqui no Brasil, mas em todo o mundo).

Dia 06 de dezembro foi definido pelo governo federal como o Dia Nacional dos Homens pelo Fim da Violência, onde o mote deste ano será "Comprometa-se!". A Secretaria Especial de Políticas para Mulheres recebeu de janeiro a setembro de 2008 216 mil denúncias sobre violência!!!! Enquanto eu escrevo este post, duas notícias passaram na TV, uma da menina que foi violentada e jogada em um bueiro em Ferraz de Vasconcelos e o caso dos três homens acusados de violentar e assassinar uma jovem em Guarulhos (neste caso, há controvérsias sobre se os rapazes são os autores do crime ou se é o maníaco de Guarulhos).

O feminino e o natural são essências muito fortes e assustam os que não gostam de se sentir reduzidos diante de uma situação. A VIDA depende da natureza e das mulheres, por isso deveriam ser SUBLIMES e não alvos de DOMINAÇÃO.

Não sou feminista, sou feminina, acho que todos devem ter os mesmos direitos, oportunidades e suas diferenças respeitadas, independente do gênero e da opção sexual. Acho que sou ambientalista (heheheh), mas defendo que haja uma relação mais harmoniosa e equilibrada entre os seres humanos e tudo o que é natural.

O respeito ao semelhante e ao diferente é a essência da VIDA!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Sobre a Floresta Urbana Água Comprida


Quero fazer neste espaço um apelo a todos que acompanham a difícil luta entre o desenvolvimento a qualquer custo e um desenvolvimento planejado e sustentável. O Instituto Ambiental Vidágua, do qual faço parte, tem uma campanha de preservação do maior remanescente florestal na área urbana de Bauru, área para a qual criamos a singela expressão "Floresta Urbana Água Comprida" (na foto deste post vocês podem observar a área. A imagem foi usada como capa de um abaixo-assinado feito em 2007 e que recolheu em 30 dias 16.000 assinaturas CONTRÁRIAS ao loteamento da área). Temos no blog do Vidágua uma enquete sobre o destino que essa área deve ter, tendo em vista que o Plano Diretor Participativo determinou que ela seja uma unidade de conservação, mas há um lobby dos empreiteiros para que se altere a lei! Além da enquete, pedimos a todos que enviem cartas aos veículos de comunicação manifestando seu posicionamento sobre a questão (que pode ser contrária ou favorável, depende da opinião de cada um). No blog http://www.vidaguaefloresta.blogspot.com/ vocês podem encontrar o histórico desta luta e opinar na enquete.


A FLORESTA PRECISA DA SUA AJUDA, E UM DIA VOCÊ PERCEBERÁ QUE TAMBÉM PRECISA DA FLORESTA!

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Mensagem aos prefeitos (re) eleitos!

A presidente do Vidágua, minha grande amiga Maria Helena Beltrame, me mandou hoje um e-mail sobre posturas políticas. Resolvi reproduzi-lo porque desejo que os prefeitos (re) eleitos pratiquem a versão ANTES DA POSSE, lembrando a responsabilidade que têm!







ANTES DA POSSE

Nosso partido cumpre o que promete.

Só os tolos podem crer que

não lutaremos contra a corrupção.

Porque, se há algo certo para nós, é que

a honestidade e a transparência são fundamentais.

para alcançar nossos ideais

Mostraremos que é grande estupidez crer que

as máfias continuarão no governo, como sempre.

Asseguramos sem dúvida que

a justiça social será o alvo de nossa ação.

Apesar disso, há idiotas que imaginam que

se possa governar com as manchas da velha política.

Quando assumirmos o poder, faremos tudo para que

se termine com os marajás e as negociatas.

Não permitiremos de nenhum modo que

nossas crianças morram de fome.

Cumpriremos nossos propósitos mesmo que

os recursos econômicos do país se esgotem.

Exerceremos o poder até que

Compreendam que

Somos a nova política.


DEPOIS DA POSSE

Basta ler o mesmo texto acima,

DE BAIXO PARA CIMA


Não deixemos que aconteça a versão de baixo para cima em nossas cidades!

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

A dificuldade de equilibrar o discurso com a prática


Coerência é uma ação difícil. Eu comecei a pensar sobre isso quando estava na faculdade, espaço perfeito para se dizer coisas e praticar outras (total incoerência!). Discutíamos relação de classes, marxismo, indústria cultural e muitas das pessoas que se destacavam nos debates hoje em dia trabalham em ou para grandes corporações/interesses que eram alvo de suas críticas naquele momento.


A todo o momento nossa coerência é testada. Eu sinto isso na pele, porque defender interesses coletivos exige compreender o que é importante para todas as pessoas, e não só pra mim. Quando defendemos a preservação da Floresta Urbana Água Comprida é lógico que eu tento me colocar no lugar dos proprietários, mas também penso em como foi todo o procedimento até se chegar a situação atual e quais os interesses (sobre isso vou escrever especificamente no post do VidÁgua&Floresta, confiram (http://www.vidaguaefloresta.blogspot.com/).


A coerência do movimento ambientalista está em xeque nos últimos tempos. Muitos militantes do movimento integram o governo federal nestas duas últimas gestões. Colocar pessoas de peso em posições estratégicas enfraquece as reivindicações de qualquer movimento. Como contestar um ícone como a Marina Silva? Por isso, penso que ela tomou a atitude certa ao sair do governo, demonstrou coerência. Cansou de ser escudo de uma política desenvolvimentista, muito parecida com o governo militar, mas travestida de proposta democrática (estou falando especificamente das questões ambientais!).


Carlos Minc, atual Ministro do Meio Ambiente, foi grande militante na década de 70, coordenando a luta antinuclear no Rio de Janeiro. Se naquela época alguém dissesse que esse mesmo líder ambientalista assinaria uma licença ambiental de Angra 3, provavelmente seria tachado de louco. Pois é, isso está acontecendo, exatamente em 2008. Assim como a licença para as hidrelétricas no Rio Madeira. O Minc abriu uma plenária do Conselho Nacional do Meio Ambiente, na qual eu estava presente, com um discurso de que os servidores de carreira deveriam ser valorizados. Nesta mesma reunião, o presidente do IBAMA, sr Roberto Messias, disse que apesar do relatório dos técnicos daquele órgão dizer que haverá uma HECATOMBE na Amazônia com a construção das usinas, a obra era necessária e a licença seria dada.


Manter a coerência é difícil, mas mais difícil ainda é conviver com as contradições que pululam em nossas cabeças a cada incoerência cometida...

terça-feira, 11 de novembro de 2008

CIÚME, por Roland Barthes

O meu livro favorito é "Fragmentos de um discurso amoroso", de Roland Barthes. Não sou bem uma pessoa romântica, mas gosto de relações intensas. Ganhei o livro no dia 02/12/97 de uma grande amiga, Luiza Archanjo, rondoniense e hoje jornalista, numa caixinha colorida e com uma dedicatória que só se espera das amigas realmente do coração: "A caixa é bonita porque o livro é velho..., este me acompanhou por muito tempo". Essa atitude mostra um desapego gigantesco! Luiza, te AMO muito, apesar de toda a distância que nos separa!!!


Talvez esse seja um dos motivos que faz desse livro tão importante para mim hoje... para comparar esta atitude dela com um trecho do livro, mas de uma maneira que contrapõe totalmente esse sentimento do desapego, escolhi para compartilhar com vocês hoje o capítulo sobre ciúme!



"Quando amo, sou exclusivista", diz Freud, citado por Barthes. "Sentimento que nasce no amor e que é produzido pelo medo de que a pessoa amada prefira um outro" (Littré).




Eu tenho como missão de vida trabalhar por causas coletivas, defendendo as questões socioambientais, muitas vezes em ações voluntárias que me dão um intenso prazer. Eu me vejo no outro, e não consigo viver de outra forma. No entanto, quando se trata de um amor carnal, não há maneira de eu ter sentimentos coletivos. A intensidade é egoísta e ao mesmo tempo temerosa, porque eu sempre acho que qualquer concorrência pode apagar o meu amor. Enfim... talvez por este motivo eu tenha 30 anos e nenhum relacionamento duradouro, sério ou que siga os padrões sociais... recebi uma mensagem de uma amiga no Orkut hoje que não via há uns 15 anos. Ela está casada, tem três filhas lindas, pelas fotos do álbum está super feliz! Eu tambem estou feliz, mas você não encontrará em meu álbum qualquer coisa parecida com esta descrição.




Se estou escrevendo sobre isso, de alguma forma isso me incomoda... tenho certeza que não quero seguir um modelo tão tradicional quanto o da minha amiga, mas toda a intensidade que eu coloco no meu trabalho pode ser um catalisador de outras energias não utilizadas... Muito disso é medo do envolvimento, pois sou MUITO CIUMENTA. A qualquer indício de ameaça, eu tiro o meu time de campo...




"Como ciumento sofro quatro vezes: porque sou ciumento, porque me reprovo de sê-lo, porque temo que meu ciúme machuque o outro, porque me deixo dominar por uma banalidade: sofro por ser excluído, por ser agressivo, por ser louco e por ser COMUM".


Às vítimas do meu ciúme, meus pedidos de desculpa! Tenho na minha cabeça e no meu coração neste momento um sentimento mal resolvido, que espero que se transforme em boas lembranças ou numa realidade sólida...

Isso só o tempo dirá!





domingo, 9 de novembro de 2008

Gilberto Dimenstein na Folha de São Paulo

Estou reproduzindo o texto publicado hoje na FSP, de autoria do Gilberto Dimenstein (que eu adoro). Muitos não acreditam neste tipo de trabalho e na possibilidade de mudança, EU ACREDITO!!!



COMO BRASÍLIA PERDEU UMA PROTISTUTA

Como era inteligente, a menina prosperava cada vez mais rápido na escola; assim, deixou a prostituição e virou dentista
A EDUCADORA Dagmar Garroux preparou uma de suas alunas para ser prostituta. Mas não qualquer prostituta -seria treinada para circular pelos bastidores de Brasília. Além de etiqueta, aprenderia a falar bem português e se viraria no inglês ou espanhol. Com aulas de artes, história e atualidades, ela conseguiria manter uma conversa em recepções. "O treino funcionou", orgulha-se Dagmar. Funcionou tão bem que Brasília perdeu uma prostituta.

A menina, estimulada com a chance de ser prostituta em Brasília, morava na favela do Parque Santo Antônio, localizada no chamado "triângulo da morte", na zona sul da cidade de São Paulo. No "triângulo" existe o cemitério São Luiz, que, conta-se, é o lugar onde estariam enterrados mais adolescentes por metro quadrado no mundo.
Dagmar criou, ali, um centro educacional batizado de Casa do Zezinho -o nome é inspirado na poesia "E agora, José?", de Carlos Drummond de Andrade. Uma das freqüentadoras da casa era a menina, que começou a vender o corpo, na fronteira da adolescência, agenciada por um rapaz mais velho da escola pública em que estudava. Dividiam pela metade o valor de cada programa (R$ 10).
A garota não gostou da intromissão da educadora. "Não se mete, não.
Você nunca pensou em se vender para ganhar dinheiro?", perguntou, agressiva. Ela era conhecida pela violência, metia-se em brigas. Quase sempre andava com uma faca.
Dagmar suspeitou de que corria o risco de perder a aluna, desfeito o já frágil laço afetivo. Decidiu entrar no jogo. Disse que nunca quis vender o corpo. Mas, se quisesse, não iria aceitar mixaria. "Eu iria cobrar no mínimo R$ 1.000. Isso no começo, depois aumentaria o preço."
A aluna arregalou os olhos e ouviu a improvável proposta: "Por que você não se prepara para ser puta em Brasília? Você ganha dinheiro e se aposenta". Com aquele corpo e a bagagem intelectual, acrescentou, certamente iria surgir um marido rico.

No dia seguinte, a garota voltou, animada com a proposta. "Topo", disse. Dagmar ponderou que ela deveria, então, se preparar. Para começo de conversa, deveria se cuidar para que aumentasse a disputa dos clientes.
Precisaria, assim, parar imediatamente de estragar seu corpo com os homens da favela. "Você quer chegar a Brasília com a mercadoria velha?" Dagmar convenceu-a de que, além do corpo atraente, precisaria mostrar cultura e saber falar. Um tanto a contragosto, mas de olho nas recompensas futuras, aceitou as aulas.
Com as aulas, vieram reflexões sobre autonomia e responsabilidade; a auto-estima era trabalhada em projetos de arte e comunicação. Certo dia, ela fez um comentário sobre os dentes de Dagmar. "Parece que você tem uma boca de cavalo." E brincou: "Se eu fosse dentista, eu consertaria a sua boca".

O apoio explicou por que, embora sem intenção, a menina apresentasse melhor desempenho escolar. A trajetória teve momentos de crise: como já não faturava com a prostituição, a garota passou a vender drogas. Dagmar voltou a argumentar que, se fosse mesmo vender drogas, deveria se tornar chefe e, aí, precisaria continuar os estudos para entender contabilidade. O inglês seria útil para transações internacionais.

Como era inteligente, a menina prosperava cada vez mais rapidamente na escola. À medida que ficava mais velha, prestava mais atenção no que acontecia em sua comunidade com quem se envolvia com as drogas e a prostituição -bem ao seu lado estava o pedagógico cemitério São Luiz.
Ela chegou a concluir o ensino médio e suspeitou que talvez pudesse prosseguir. Por motivos óbvios, não posso revelar o nome da aluna: "Ainda sinto muita vergonha", justifica. Fez um cursinho pré-vestibular gratuito e entrou na USP. Formou-se em odontologia -e agora vive consertando bocas.

PS: A ex-futura-prostituta de Brasília é um dos casos que passaram pela Casa do Zezinho, uma experiência relatada agora pelo educador Celso Antunes no livro "A Pedagogia do Cuidado", a ser lançado neste mês.
Ele detalha o que existe de teorias pedagógicas por trás dos exemplos.
Se os gestores municipais agora eleitos quiserem fazer cidades melhores, terão de aprender as magias que podem ser feitas quando existirem bons educadores, mesmo num "triângulo da morte".
É mais uma ilustração do que sempre digo: educar é ensinar o encanto da possibilidade. Um dos seus projetos é transformar aquele simbólico cemitério São Luiz, com o recorde de covas de adolescentes, numa galeria de arte, com os muros externos pintados -as obras, claro, serão feitas por adolescentes. Por esse tipo de experiência, Dagmar vai dar aula, na próxima semana, num curso de gestão da Fundação Vanzolini, da Poli.

gdimen@uol.com.br

O início.....


Boa noite, pessoal!!!!! Se alguém ler esta página, saiba que aqui serão colocadas minhas reflexões, opiniões sobre diversos assuntos e espero que haja discussão a respeito, afinal, é para isso que existem as idéias. Como sou nova nesta área (há blogueiros profissionais, mas eu sou café-com-leite!) peço sugestões!!!! Espero que curtam!